Os italianos no norte e nordeste do Brasil



O Norte e o Nordeste do Brasil também tentaram atrair imigrantes italianos, mas sem grande sucesso. Entre 1898 e 1902, foi publicada em Gênova uma revista quinzenal, a L'Amazzonia, que tecia elogios sobre os estados do Pará e do Amazonas, com o intuito de persuadir italianos para lá imigrarem. Mas contra o Norte e Nordeste pesavam a pobreza local e a dificuldade de adaptação dos imigrantes ao clima da região. Mesmo assim, entre 1891 e 1899, foram feitas quatro tentativas de colonização envolvendo camponeses italianos. A primeira, na Bahia, fracassou imediatamente e a colônia, de imigrantes provenientes da Emília-Romagna e das Marcas, logo se dissolveu. A outra tentativa, no estado de Pernambuco, também não deu frutos, pois das 40 famílias italianas trazidas para a região de Suassuma, 38 solicitaram e foram transferidas para São Paulo às custas do governo federal, alguns meses após a chegada. As duas famílias que restaram voltaram para a Itália, em 1898.

 

O Piauí também tentou implantar um núcleo italiano, oferecendo ao governo da Itália a possibilidade de fazer investimentos econômicos no estado. Assim, em 1895, chegaram 40 famílias italianas mas, novamente, a tentativa não deu certo, pois 28 famílias se negaram a se instalar nos lotes e as outras 12 foram repatriadas em 1898.[14] Nessa mesma época, na Paraíba, houve pequenos núcleos italianos esparsos que desempenhavam atividades artesanais e comerciais em diversas cidades – além de João Pessoa e Campina Grande –, entre as quais Areia, Mamanguape, Pilar, Bananeiras e Solânea. Boa parte desse núcleo preferiu se fixar de vez no estado, onde tiveram uma influência socioeconômica bastante relevante.

 

O estado do Pará foi aquele que mais insistentemente tentou implantar núcleos italianos no seu território. A primeira tentativa data de 1899 e o estado oferecia aos imigrantes terra de 25 hectares, ferramentas, salários durante três dias da semana para desmatar a área, além de alimentação gratuita nos primeiros seis meses. Porém, após alguns meses, das doze famílias assentadas, nove desistiram. Outras duas tentativas foram feitas no mesmo ano de 1899, sem nenhum sucesso. Não era apenas o clima quente da região que acarretava no fracasso das colônias, mas o próprio despreparo dos italianos ao terem que lidar com cultivos que desconheciam (algodão, fumo, açúcar, cacau), produtos que só davam lucro quando produzidos em grande escala, com base num comércio que já deveria estar anteriormente estabelecido. Por essas razões, a imigração italiana para o Norte e Nordeste não foi agrícola, mas temporária, espontânea e essencialmente urbana. Durante o auge da exploração da borracha no final do século XIX, houve um certo fluxo de imigração italiana para a região amazônica. A movimentação econômica atraiu um subproletariado italiano oriundo sobretudo de outros estados brasileiros, que se dedicava principalmente ao comércio ambulante ao longo do rio Amazonas ou se ocupava nos misteres urbanos (engraxate, sapateiro, carregador etc).

 

Em Pernambuco havia uma pequena comunidade italiana ao longo do litoral ou na capital, dedicando-se a atividades urbanas. Eram quase todos meridionais, das províncias de Cosenza, Potenza e Salerno. A Bahia concentrava a maior comunidade italiana da região, principalmente do Sul da Itália. Em 1884 não viviam mais que 200 ou 300 italianos na Bahia. Em 1908, viviam em Salvador 500 italianos, quase todos de Laino Borgo, cidade da região da Calábria. No final do século XIX, em toda a Bahia viviam entre 2.500 e 3.000 italianos.

 

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A imigração italiana do Nordeste teve um padrão, que pode compreender quatro fases: a pré-colonial, a colonial, a imperial.

 

Na fase pré-colonial, o território nordestino era para os europeus apenas uma massa de terra dentro do Brasil, eles toleraram os povos indígenas da região e o que lhe eram de direito, fazendo apenas o avistamento da costa, para num futuro próximo enganá-los através do escambo e logo depois tentar escravizá-los. Nessa fase a entrada de italianos no Nordeste já era considerada como importante, devido à sua presença em várias expedições exploradoras, no que lhe renderam experiências no Mediterrâneo, e acabando por ficar na Península Ibérica à procura da oportunidade de participar de outras expedições marítimas, a fim de achar riquezas e de aumentar os seus negócios, fazendo eles partirem para o Nordeste do Brasil. Entre os navegadores, o mais famoso a pisar em terras nordestinas foi o florentino Américo Vespúcio, que por suas cartas, acabou por dar seu nome para ao continente "descoberto" por Cristóvão Colombo.

 

Na fase colonial, entre 1535 a 1822, a atuação da imigração foi diferente, tendo em vista que os territórios já não eram os mesmos, pois os portugueses para realizar totalmente a conquista do país, se fixaram no território, colocaram a baixo as nações indígenas e reorganizaram o lugar em função de uma economia de exportação de riquezas, nessa fase os indígenas já lutavam contra os franceses, ingleses e holandeses, que também queriam as terras. Assim os reis de Portugal e da Espanha (durante o domínio espanhol de Nápoles) criaram uma guerra contra os holandeses entre 1624 a 1654 (na época da Nova Holanda), utilizando, forças militares italianas vinda de Nápoles. Ainda nessa fase foram numerosos os sacerdotes italianos enviados ao país, para trabalharem no processo de evangelização dos povos indígenas. Dois jesuítas italianos, Andreoni e Benci, se destacaram por haver escrito livros sobre o Brasil, no século XVIII. Outros religiosos vindo para o Nordeste Brasileiro, são os capuchinhos, que foram desbravadores dos sertões. Além dos religiosos e das forças militares, muitos costureiros, alfaiates, sapateiros, funileiros, caldeireiros, mecânicos e etc, se fixaram tanto nas capitais como no interior do Nordeste, a fim de trabalhar.

 

Na fase imperial, as coisas também foram diferentes, houve uma preocupação com a ocupação de posições consideradas importantes para o governo brasileiro e com o desejo de "embranquecer" a população. Por isto, o governo passou a desenvolver uma política de colonização, com mais intensidade no sul do país, não só com os italianos, como com outras nacionalidades europeias. Eles se instalaram no país e passaram a se mobilizar por outras províncias do Império.

 

Na fase do Brasil republicano, o Nordeste continuou a receber italianos, que vieram por causa do grande crescimento e da modernização da agroindústria canavieira, do desenvolvimento da indústria têxtil, do crescimento da cultura do cacau e do lançamento, no mercado externo, de produtos extrativos.

 

Após a Segunda Guerra Mundial, houve novas experiências, como a de implantação de uma colônia de agricultores em Jaguaquara e Itiruçu, na Bahia, o que provocou modificações nos usos e costumes dessas cidades.

 

Em 1837 chega à Bahia um grupo de 62 exilados políticos oriundos da península italiana, que foram presos devido às agitações políticas que ocorriam no período que antecedeu à unificação da Itália. Estes exilados sensibilizaram-se e aderiram ao movimento revolucionário que ocorria em Salvador, a Sabinada. Alguns foram presos, outros retornaram para a Itália e houve aqueles que mudaram para o Rio de Janeiro. Este envolvimento político dos imigrantes fez com que uma nova leva de exilados, oriundos da região de Nápoles, fosse cancelada. Em 1950, alguns rumaram para Itiruçu, fundando a colônia Bateia.